Blog do Eduardo

Saturday, May 27, 2006

Quem chora de noite?

João acorda sobressaltado. Senta-se na cama e põe-se à escuta.A sua irmã Joana, meio adormecida, pergunta-lhe, lá da sua cama:

- Tu também ouviste, João? Parece um bebé a chorar.

- Ou outra pessoa. De noite, tudo mete medo -responde o irmão.

- Engraçado, o pai e a mãe não ouviram nada. E eles até têm o sono leve, pois acordam logo quando eu os chamo. Anda levanta-te. Vamos ver o que é.

De mão dada, os irmãos saem do quarto. É que dois valem mais do que um. Especialmente quando os pais dormem como ursos no Inverno.

- Mnnhhãããã!

- Ouviste? - sussurra a Joana. -Está alguém lá fora.

- O barulho vem da varanda -diz o irmão, abrindo as persianas. - Vamos buscar uma lanterna. Temos de descobrir o que é isto.

Noite. Escuro como breu. Nem uma palha se mexe. Nem uma folha. Subitamente, uma sombra tenta esconder-se. Mas não consegue.

- Olha, é um gatinho! E parece estar ferido! - exclama a Joana.

- Tens razão. Cuidado, não o assustes - diz o João enquanto se aproxima.

O animalzinho nem se mexe, e treme quando o João lhe acaricia o pêlo.

- Tem a patita ferida. Temos de levá-lo para dentro. Para a cozinha.

E para não o abandonarem sozinho, os dois irmãos foram ao quarto, pé ante pé, e trouxeram os cobertores para se deitarem junto do ferido.

De manhã, o pai e a mãe têm uma das maiores surpresas da sua vida ao darem com três caminhas na cozinha...e ocupadas! Depois de tudo explicado, o pai diz que o gatinho precisa de ser observado pelo veterinário. E aí vão todos para a clínica veterinária.

O senhor Apolinário, veterinário sem horário, examina o animal e ri-se:

-O vosso amiguinho não é gato...é gata. E vai precisar de fazer o curativo todos os dias. Por isso, tendes de aprender a fazer-lhe o penso... Reparai! Os bons amigos são os que nos ajudam quando precisamos deles.E esta gatinha precisa de vós.

100 histórias à lareira, Edições Asa

Friday, May 26, 2006

Hoje


a minha escola foi assaltada.

De manhã, quando cheguei à escola, para ir às aulas, estava lá imensa gente, uma grande confusão e os guardas da GNR. A escola tinha sido assaltada durante a noite. Fiquei triste e voltei para casa.

Aqui, nos últimos tempos tem havido assaltos todas as semanas: o supermercado, a Junta de Freguesia e várias lojas. Agora, foi a minha escola. Não compreendo porque acontecem estas coisas: quem ganha com isto? para quê?

Também acho estranho que saibam tão bem onde estão as coisas que querem levar. Penso que tem que ser gente de cá e que conhece bem os sítios que assalta... Mas isto é apenas suposição...

A minha escola é muito bonita e estava bem equipada. Que terão levado? Que terão estragado?
Um assalto faz-nos sentir como que doentes e tristes. Hoje não me apetece escrever mais nada.

Wednesday, May 24, 2006

O senhor Mago e a folha - conclusão


Quando terminou, guardou a folha na caixinha dos desejos e pousou-a na pedra da janela.

Se nessa noite as nuvens deixassem ver o brilho das estrelas, o seu desejo tornar-se-ia realidade.

Durante a noite, o senhor Mago acordou, olhou pela janela e viu no céu a lua cheia cercada de estrelas brilhantes como prata. Ficou muito contente e voltou a adormecer.

Levantou-se muito cedinho, ao raiar do dia. Esfregou os olhos, aproximou-se da janela e, ao levantar a tampa da caixinha dos desejos, ficou espantado...
A folhinha desaparecera e, no seu lugar, estava uma menina adormecida, tão formosa como ele a imaginara.

Acordou-a com muita doçura. A menina abriu os olhos, pestanejou e disse:
- Bom dia, papá!

O senhor Mago tremia de alegria: "papá! Uma filha! Já não estou só!"
Mas... que nome lhe ia dar?

- Já sei! Como Antão é um nome muito bonito, ela vai ser Anteia: Anteia, filha de Antão!

Toño Núñez, O senhor Mago e a folha, ilustrado por Suso Cubeiro

Tuesday, May 23, 2006

O senhor Mago e a folha

No outro dia, eu ia a passar por uma rua e, ao ver um livro, lembrei-me de uma história para partilhar.


-O senhor Mago chamava-se Antão e vivia sozinho numa casinha que havia no meio do monte.
O senhor Mago tinha três ovelhas: Guiomar,Felisberta, e Chiquita. Cuidava muito bem delas e elas gostavam muito dele.
Numa tarde escura de Outono, o senhor Mago voltava do campo com as suas ovelhas, já fartas de pastar.

O caminho estava coberto de folhas secas.
O senhor Mago ia pisando as folhas com as suas socas e elas queixavam-se com gemidos surdos, como fazem as folhas quando as pisam.

De repente, ouviu uma folha dizer:
-Ei tu aí! não me pises que me magoas!
-Oh, céus! Uma folha que fala! -pensou.

Mas não estranhou muito, porque os Magos sabem muito bem que, às vezes, tudo é posivel.

Olhou para o chão e viu aquela folha...

Era diferente, nunca tinha visto outra igual a ela.

De certeza que viera de um país afastado, trazida pelo vento de Outono. Apanhou-a e disse-lhe:
-Oh, desculpa! Não te preocupes,levar-te-ei para minha casa para te levar e pendurar na parede do meu quarto,porque és uma folha muito bonita.

E assim fez. Chegou a casa , guardou as ovelhas no estábulo e foi até à fonte que havia ali perto.
Com cuidado para não a partir, lavou-a muito bem lavada e pensou na melhor maneira de a secar. Acendeu o lume e pendurou-a a secar.

Depois levou-a para o seu quarto e pousou-a em cima da mesinha de cabeceira.
Antes de se deitar, pôs-se a pensar:

- Já estou velho e sinto-me só. Se um dia adoeço, não tenho quem cuide de mim. Esta folha que encontrei é muito formosa e, se calhar, podia transformá-la numa menina.

Meu dito,meu feito.

Um pincel e tintas de muitas cores seriam as melhores ferramentas para realizar a sua magia.

Pintou-lhe uns longos cabelos louros, olhos azuis, um nariz empinado e uma boca de lábios rosados, umas orelhas redondas, uns braços com mãos suaves e dedos perfeitos, umas pernas com pés ligeiros como o vento...


continua

Sunday, May 21, 2006

Olá!

Nasci hoje.

Gosto muito de ler e contar histórias; também gosto de desenhar, pintar e ver filmes.

Aqui, irei escrever historinhas minhas e outras que vou lendo e que quero partilhar com os meus amigos.